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Quarta-feira, 03 de Outubro de 2007

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Inquérito da BBC em 21 países revela apoio popular no combate ao aquecimento global. Dois terços diz que é preciso agir já e em força. É um bom ambiente para as negociações internacionais.

Se o objectivo de tanto barulho era convencer o cidadão comum, então os alarmes sobre o aquecimento global deram resultado. Um inquérito da BBC realizado em 21 países indica que a grande maioria das pessoas acha que o ser humano é responsável pelo problema e que não podemos ficar de braços cruzados.

O inquérito, conduzido pela empresa de estudos de mercado GlobeScan e pelo Programa sobre Atitudes em Política Internacional, da Universidade de Maryland (EUA), foi divulgado ontem e surge num momento de hiperactividade na discussão sobre as alterações climáticas.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pôs dezenas de chefes de Estado e de governo a debater o problema, numa conferência em Nova Iorque. O presidente George W. Bush recebeu, em Washington, um grupo mais restrito de líderes, num fórum alternativo de diálogo lançado pela administração americana.

Dos 16 países que participaram da reunião de Washington, 14 estão no inquérito: Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, EUA, França, Índia, Indonésia, Itália, México, Reino Unido e Rússia. Só dois ficaram de fora: Japão e África do Sul.

Não é um grupo qualquer. Estes são os países que mais emitem gases com efeito de estufa, que estão a aquecer o planeta. Se entre eles houver acordo, então será meio caminho andado para um novo tratado internacional contra as alterações climáticas. As negociações formais, no seio da ONU, avançam em Dezembro, numa conferência em Bali, na Indonésia.

Das 22 mil pessoas entrevistadas, cerca de 79 por cento - oito em cada dez - concorda que as actividades humanas são causa significativa das alterações climáticas. Além disso, 65 por cento - quase dois terços - considera que é preciso tomar medidas efectivas a curto prazo. Outros 25 por cento - um em cada quatro - diz, ainda, que é preciso fazer algo, mas com passos mais modestos ao longo dos anos.

"A força dos resultados torna difícil imaginar um ambiente de maior apoio da opinião pública para que os líderes nacionais se comprometam com a acção", sustenta Doug Miller, presidente da GlobeScan, num texto de apresentação dos resultados.

Pontos-chave

São poucas perguntas, mas dirigidas aos pontos-chave do debate actual sobre o aquecimento. Uma delas indaga se "países menos ricos, com emissões substanciais e crescentes", deveriam limitar os seus gases com efeito de estufa ao mesmo tempo que os países desenvolvidos.

Não é nada diferente o que está em discussão na comunidade internacional. Países como a China, Índia ou Brasil - que lançam mais dióxido de carbono para a atmosfera do que muitas nações desenvolvidas - devem passar a ter metas de redução de emissões?

A resposta dos governos é conhecida. Os líderes dos países em desenvolvimento não querem ouvir falar de metas. Também a União Europeia é contra, nesta fase.

Mas os cidadãos respondem de outra forma. Sim, deve haver metas, é o que diz a grande maioria dos europeus (excepto os italianos), dos canadianos e dos americanos. O mesmo ouve-se, por exemplo, de mexicanos, chineses, brasileiros e indonésios. Estas nações estão entre os países em desenvolvimento que mais emitem gases com efeito de estufa. A China é mesmo o segundo maior emissor mundial, nos calcanhares dos EUA (algumas estimativas dizem que a China já terá ultrapassado os EUA em emissões de dióxido de carbono). No ranking dos maiores poluidores, a Índia está no quinto lugar e o Brasil no oitavo.

A opinião pública nesta matéria é favorável às posições dos EUA. A administração Bush advoga que é injusto haver metas só para países ricos - tal como está fixado no Protocolo de Quioto, que os EUA abandonaram em 2001. Três em cada quatro norte-americanos de certa forma concordam, defendendo que as grandes economias do mundo menos desenvolvido também têm de se submeter a compromissos.

Índia em dúvida

No inquérito da BBC, a Índia surge com enormes pontos de interrogação. Uma boa parte dos inquiridos deixou muitas respostas em branco. Com isso, só 47 por cento dos indianos diz que a culpa do aquecimento global é do ser humano, 37 por cento defende medidas urgentes, e 33 por cento apoia metas para os países em desenvolvimento.

Os russos também surgem na contra-corrente em alguns pontos. Só 43 por cento acredita que o aquecimento global requer uma acção forte e rápida. E o conhecimento sobre o problema ainda é relativamente escasso. Apenas 35 por cento ouviu ou leu muito ou alguma coisa sobre o tema. Cinquenta e cinco por cento quase não tem tido contacto com o assunto e nove por cento - praticamente um em cada dez russos - nunca ouviu falar do assunto.

Em ignorância total sobre o tema estão também muitos turcos (nove por cento), brasileiros e nigerianos (10), egípcios (16) e indonésios (18) e quenianos (22).

Nesse grupo dos alheados, apenas metade (47 por cento) apoia medidas significativas para combater o aquecimento global. "Sem surpresa, aqueles que já ouviram mais sobre as alterações climáticas estão mais dispostos a agir", conclui o inquérito.

Uma das questões soa como uma hipótese de linha de negociação internacional: os países mais ricos concordam em apoiar financeiramente os países mais pobres e esses, em contrapartida, aceitam limitar as suas emissões de gases com efeito de estufa, em conjunto com o mundo desenvolvido. Uma maioria expressiva dos inquiridos é a favor dessa sugestão. O maior apoio é dos chineses (90 por cento). Nos EUA, são 70 por cento a favor e 21 por cento contra.

A grande maioria dos americanos está bem informada sobre o problema das alterações climáticas, acredita que a culpa é humana e suporta acções urgentes ou graduais. Apenas seis por cento acha que não é preciso fazer nada. É perante esta opinião pública que o governo de George W.Bush conversou com os países que mais poluem no mundo.

Ricardo Garcia
publicado por saqv_ps às 01:04

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