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Sexta-feira, 18 de Maio de 2007

abertu1.gifA primeira unidade de tratamento de resíduos domésticos com minhocas em Portugal começará a funcionar em Setembro em Beja. No começo serão tratadas por vermicompostagem cinco mil toneladas de resíduos por ano.

A empresa Lavoisier utiliza minhocas vermelhas da Califórnia, que se alimentam dos resíduos e os transformam.

"As minhocas comem todo o lixo, incluindo papel ou restos de comida, e ainda limpam os bocados de vidro e plástico que são depois enviados para a reciclagem. Uma das vantagens deste tipo de tratamento é que tudo é aproveitado", explicou um dos sócios da Lavoisier, João Completo.

Primeiro o lixo é preparado - através de compostagem (decomposição por micro-organismos), mantendo níveis de luz, oxigénio, temperatura e humidade para entrar num processo natural de decomposição, que elimina também bactérias e vírus.

Depois as minhocas são colocadas numa primeira camada de resíduos, para digerir esse composto e criar o fertilizante através das suas fezes. Por cima desta camada é colocada outra porção de resíduos.

Para cada metro quadrado são usadas cerca de cinco mil minhocas, mas, no final do processo, existe o dobro dos animais, uma vez que cada minhoca vive em média 16 anos e reproduz-se a cada dez dias. Uma das características salientadas pelos promotores desta técnica é a eliminação dos odores, o que é conseguido nomeadamente misturando palha nos resíduos.

Em termos de custos e morosidade, este responsável só salienta vantagens comparativamente a outros processos. "Como acreditamos que o lixo deve ser tratado junto ao local onde é produzido, reduzimos logo à partida os custos de transportes. Em comparação com a digestão anaeróbia [mineralização da matéria orgânica, na ausência de oxigénio], o investimento é cerca de um oitavo".

Em comparação, uma central de vermicompostagem para 35 mil toneladas de lixo tem um custo de investimento de dois milhões de euros, enquanto no caso da digestão anaeróbia é de 15 a 20 milhões. Relativamente à compostagem, a vantagem da vermicompostagem é que o produto final pode ser usado na agricultura, incluindo na biológica, por ser um processo que não usa químicos.

Em Portugal existem já unidades de pequena dimensão que tratam resíduos das pecuárias recorrendo a minhocas (vermicompostagem), mas a de Beja, a instalar no Parque Ambiental da Amalga, vai ser a primeira com dimensões industriais e a tratar todos aqueles resíduos.

"Para já vamos começar a tratar cinco mil toneladas de resíduos por ano, mas dentro de três ou quatro anos prevemos atingir as 35 mil toneladas", adiantou João Completo.

Rui Berkemeier, ambientalista da associação Quercus, disse que o alargamento da unidade para as 35 mil toneladas vai torná-la uma das maiores unidades do país em termos de tratamento daquele tipo de resíduos.

"O sistema é totalmente ecológico, não resultando qualquer tipo de poluição do ar ou da água, pelo que a Quercus tem apoiado este projecto desde o seu início", adiantou Rui Berkemeier.

Os responsáveis do projecto acreditam poder alargar este sistema a outros concelhos do país, até por ser um tipo de tratamento já muito aplicado em países como os Estados Unidos, Índia, Japão e Austrália.

in Ecoesfera
publicado por saqv_ps às 00:30


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