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Sexta-feira, 13 de Julho de 2007

thumbsf.jpgUma fuga na fábrica da Amoníaco de Portugal, propriedade do grupo CUF e instalada no Lavradio, Barreiro, levou a que os níveis de dióxido de enxofre previstos por lei (500 microgramas por metro cúbico) tenham sido mais do que triplicados. Registaram-se valores ligeiramente superiores a 1500 microgramas por metro cúbico.

As medições feitas na noite de segunda-feira por técnicos do Ministério do Ambiente detectaram concentrações máximas de 1545 miligramas por metro cúbico, valores que levaram ao encerramento temporário da unidade de produção de amoníaco, até que sejam novamente assegurados os limites legais.

Habitantes do Lavradio – existe um bairro residencial a metros da fábrica da Amoníaco de Portugal – garantem que “há mais de três meses” que alertam as autoridades ambientais para uma situação potencialmente perigosa para a sua saúde. Segundo um grupo de residentes que na semana passada iniciou um abaixo-assinado, a fuga do dióxido de enxofre já era esperada.

“Para nós, o melhor medidor são as gargantas inflamadas, os olhos vermelhos, a comichão no corpo dos trabalhadores, a roupa manchada nos estendais ou os carros deteriorados”, explicou ao CM Hugo Abade, membro do grupo que garante já ter recolhido mais de 2200 assinaturas.

“O povo sabe que há grandes descargas poluentes com frequência. Há anos que isto é assim, mas ninguém reclama”, lamenta Francisco Grave, reformado e residente na área. Ulisses Reis, outro vizinho da fábrica e reformado da Estação Termoeléctrica da EDP, que fica quase em frente à AP, reclama: “O problema é deixarem sair certas coisas para o ar, como o amoníaco. Às vezes o cheiro é insuportável e nós vimo-nos atrapalhados para respirar. É complicado.”

Já Rui Amaral, trabalhador da empresa há 30 anos, sendo actualmente encarregado de instrumentos, diz-se revoltado, mas contra os promotores do abaixo-assinado.

“Isto é uma fábrica, é natural que se faça alguma poluição e não prejudica ninguém”, protesta. “A intenção do abaixo-assinado é encerrar a fábrica. Mas esquecem-se de que os trabalhadores vão para o desemprego”.

"É PRECISO CONCILIAR SAÚDE E TRABALHO"

O presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto, e o vereador do Ambiente, Bruno Vitorino, disseram ao CM que “é preciso e possível conciliar a qualidade de vida e saúde pública dos moradores com os postos de trabalho e progresso económico da freguesia e concelho”.

Confrontado quanto aos valores de poluição registados e os riscos de um acidente mais grave, dada a perigosidade dos produtos em causa, Carlos Humberto diz que “todas as empresas têm planos de emergência” e que a autarquia os conhece, podendo coordenar-se com outras entidades, incluindo os bombeiros.

Quanto ao licenciamento de habitações ou zonas comerciais, o presidente e o vereador coincidem no argumento de que “o Barreiro não pode parar” só porque existem as fábricas, licenciadas num tempo em que as exigências legais e ambientais eram muito diferentes.

Representantes da autarquia, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT) e da AP – Amoníaco de Portugal reuniram-se nas instalações da empresa. Em cima da mesa esteve o possível recomeço de laboração. Fonte da CCDRLVT garantiu ao CM que isso só será possível “depois de a empresa apresentar um plano para resolver as anomalias técnicas”.

Fonte da empresa disse ao CM que “as medidas correctivas estão a ser implementadas” e que “a questão do plano nem sequer se coloca”. Salvaguardando não poder “falar em prazos” quando o reinicio da laboração “não depende da empresa”, a mesma fonte garante que “a anomalia já foi detectada num dos ‘by-pass’ do interior das filtragens”.

EMPRESA RECONHECE "ANOMALIA"

A administração da AP fez saber, em comunicado, que aquilo que esteve em causa foi uma “anomalia” na unidade de recuperação de enxofre e que está em curso a regularização da mesma. O comunicado garante ainda que os níveis agora verificados nunca tinham sido registados “ao longo de mais de 25 anos de actividade” da fábrica.

“Ficámos surpreendidos. Nunca esperámos uma coisa destas. Em 27 anos de trabalho não me recordo de algo assim”, comentou ao CM Esmeralda Rodrigues, administrativa na AP. Além de amoníaco, a AP produz ureia e é a única no País a produzir AdPlus, um aditivo para veículos pesados que permite a redução de gases com efeito de estufa e que, a partir de 2008, será obrigatório em todo o espaço europeu.

A Fábrica de Amoníaco do Lavradio emprega 250 trabalhadores e nos últimos cinco anos investiu cerca de 20 milhões de euros.

in CM
publicado por saqv_ps às 08:49

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