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Quinta-feira, 09 de Março de 2006

legs.jpg Introdução

A procura do desenvolvimento sustentável, nos seus três vectores, económico, social e ambiental, constitui uma vaga de fundo, envolvendo todos os países e, dentro deles toda a sociedade. A construção da sustentabilidade é um desafio que compromete o Estado, a Sociedade Civil e as empresas.

A preocupação do mundo empresarial com o ambiente e a responsabilidade social tem ganho uma expressão cada vez maior.

Como diz Michael Porter, a sustentabilidade deve ser vista como um factor que “incrementa a competitividade interna”, como uma oportunidade de negócio.

Contabilidade Ambiental, ferramenta para a competitividade

A gestão ambiental começa a ser encarada como objectivo estratégico dentro das empresas, transformando-se num importante factor de competitividade. Um estudo realizado pela Baxter, uma das gigantes farmacêuticas dos EUA, revela que cada dólar aplicado em programas focalizados para o meio ambiente traz uma economia financeira de três a cinco vezes o seu valor. Tal facto não é, pois, alheio a uma mudança de comportamento das empresas em relação ao meio ambiente, fomentando o aumento dos investimentos em gestão ambiental, nos últimos anos.

A preocupação com o meio ambiente tem alterado profundamente o estilo de administração. As empresas incorporam procedimentos para redução de efluentes, reciclagem de materiais, resposta a situações de emergência e, até mesmo, análise do ciclo de vida dos produtos e do seu impacte sobre a natureza.

Plantas industriais ganham modernos equipamentos de controlo e vão proliferando equipas treinadas, permanentemente, para cumprir processos e normas de segurança em todas as fases de operação, de utilização de matérias primas, de transporte e distribuição de produtos. Novos processos e tecnologias permitem uma produção mais limpa e, praticamente, sem resíduos.

Todos os dias são feitos progressos no sentido de se proteger o meio ambiente e reduzir, prevenir ou minorar os efeitos da poluição e, consequentemente, há uma tendência das empresas em dar a conhecer à comunidade uma grande quantidade de dados sobre a sua política ambiental, os seus programas de gestão ambiental e o impacto do seu desempenho ambiental, no seu desempenho económico e financeiro. A gestão ambiental oferecerá à empresa oportunidades de acrescentar valor e, possivelmente, obter vantagem competitiva por meio da percepção pública, economia de custos ou rendimentos adicionais, enquanto “alivia” os efeitos dos seus produtos e processos produtivos no ambiente.
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Portanto, a empresa que demonstrar mais avanço em termos de uso de tecnologias ambientalmente amigáveis ou em relação à utilização de processos produtivos sustentáveis poderá angariar benefícios adicionais, tais como um aumento no envolvimento dos trabalhadores, menos taxas e multas por danos ambientais, menores custos de produção e de deposição de resíduos, para além de ter acesso a melhores oportunidades de negócio. Poderá, inclusivamente, explorar a sua vantagem competitiva por fornecer bens e serviços ambientalmente adequados.

As actividades de cunho ambiental passaram a ser estratégicas por uma razão fundamental: influenciam a continuidade da empresa, em consequência do significativo efeito que exercem sobre o resultado e a situação económico-financeira, porque os seus impactos podem culminar na sua exclusão do mercado, em função da perda de clientes para concorrentes que ofereçam produtos e processos ambientalmente saudáveis; porque perdem investidores potenciais que estejam preocupados com a questão ecológica global e com a garantia de retorno dos seus investimentos; ou porque estão sujeitas a penalidades governamentais de natureza decisiva, como imposição de encerramento das actividades, ou multas que causam grande impacto no fluxo de caixa das companhias.

As informações sobre o provável futuro ambiental da empresa podem ser utilizadas para encorajar operações prudentes e defensivas de redução de resíduos, através da melhoria das práticas de fabricação, transporte e distribuição. Podem oferecer informações estratégicas em termos de diversificação de produção, investimento em pesquisas e tecnologias, até mesmo, sinalização para a mudança de rota nos negócios. Podem ainda influenciar agentes reguladores e formadores de políticas públicas.

Na gestão ambiental o primeiro passo para conquistar a vantagem competitiva em custos é eliminar o desperdício. PORTER & LINDE observam que as empresas dificilmente estão cientes do custo da poluição em termos de desperdícios de recursos, de esforços e diminuição de valor para o consumidor. Nesse caso, a empresa deve avaliar o seu processo, mediante a realização de auditorias ambientais, com enfoque nos custos desnecessários. O controlo de custos pode, pois, ser usado como ferramenta para prevenir futuros impactes ambientais. Optimizando custos a empresa garante aumento de produtividade e proporciona maior saúde financeira, assegurando a sua continuidade operacional. A empresa necessita ainda de oferecer um preço competitivo conseguido por um custo inferior ao da concorrência.

A variável ambiental pode ser usada para situar o produto ou a empresa, por forma a distinguir-se dos concorrentes, justamente pela ênfase colocada na preocupação ambiental. O uso de materiais recicláveis, o financiamento de programas de preservação do meio ambiente, o tratamento de resíduos oriundos da sua própria linha de produção, podem servir como sinalizador, perante os consumidores, da sua preocupação com as questões ambientais. Neste sentido, os gestores necessitam de identificar e alocar custos ambientais, de forma a que as decisões de investimentos estejam baseadas em custos e benefícios adequadamente medidos.

È por esta ordem de razões que hoje se fala em Gestão Ambiental.

Competitividade, eficiência, qualidade, produtividade, flexibilidade de produção, inovação tecnológica, satisfação dos clientes, cuidados com o meio ambiente são alguns tópicos que fazem parte das preocupações quotidianas dos gestores da actualidade, sendo o meio ambiente e a gestão ambiental variáveis que se estão a destacar no meio empresarial.
O desafio para a contabilidade está na mudança de paradigma, para uma contabilidade integrada e competitiva que compreenda movimentos económicos, movimentos operativos e movimentos ambientais.

Bibliografia:
WERNKE, Rodney. Custos ambientais: uma abordagem teórica. S. Paulo, 2001
publicado por saqv_ps às 16:31

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