Este Blog pretende ser também um traço de união entre quem sente, interpreta e decide o Ambiente e a Qualidade de Vida.
Quinta-feira, 05 de Janeiro de 2006

17Andresas.jpg Diz-nos o Comandante Virgílio de Carvalho no seu livro “ A Importância do Mar para Portugal” que mais de 70% da população mundial vive a menos de 50 quilómetros do mar, ocupando este cerca de 71% da superfície terrestre.
O facto traduz um fenómeno de litoralização da população que, ainda segundo aquele autor, revela bem o reconhecimento da humanidade das vantagens da exploração das potencialidades marítimas. Efectivamente as zonas marítimas são, reconhecidamente, grandes catalizadoras de actividades económicas e, por via disso, exercem forte atracção sobre as populações. Os exemplos existem pelo mundo fora onde, à volta de zonas portuárias, se desenvolveram toda uma série de actividades industriais, comerciais e culturais que deram suporte a pólos de desenvolvimento de importância nacional, regional ou mesmo mundial. Não esqueçamos, no entanto que este fenómeno tem como reverso a desertificação de largas áreas do Planeta, onde a fixação do Homem seria desejável.

A par do fenómeno da litoralização, e em conjunto com ele, assistiu-se, e assiste-se, à cada vez maior urbanização da população mundial. Estas duas tendências - litoralização e urbanização - fazem com que muitos estudiosos prevejam um futuro dramático para a humanidade.

Sabe-se que entre 1950 e 1987 a população mundial duplicou. Em 37 anos passou de 2,5 para 5 mil milhões de habitantes. Em 1993 estaríamos pelos 5,5 mil milhões de habitantes e, no ano 2000, os 6 mil milhões foram ultrapassados. Tudo indica, que ao ritmo actual em 2050 a população mundial voltará a duplicar. Trata-se de uma verdadeira explosão de consequências previsíveis. O ano de 2 050 pode parecer-nos longínquo, mas a verdade é que as dificuldades com que se irão deparar as gerações de então dependem das medidas e comportamentos que tomemos hoje.

Dir-se-á que a situação é diversa consoante os continentes e regiões. É certo. Mas essa constatação só complica ainda mais a análise do problema. É que então a relação entre a população dos países do Norte, mais ricos, e os do Sul, mais pobres, será de 1 para 8, e não de 1 para 4 como na actualidade.

metrozoom.gif As Nações Unidas referem que em 2000 o Planeta contava com 79 cidades com mais de 4 milhões de habitantes, 59 das quais no terceiro mundo. Entre as quinze primeiras cidades só duas se situavam no hemisfério Norte: Tóquio com 20,2 milhões e Nova Iorque com 15,7 milhões de habitantes. Mas como serão as condições de vida na Cidade do México ou em São Paulo com, respectivamente, 25,8 e 23,9 milhões de habitantes? Como gerir estas mega metrópoles?

Os fenómenos apontados também acontecem no nosso país, à nossa escala, obviamente. Se atentarmos na distribuição geográfica da população portuguesa, facilmente se conclui que 80% da população portuguesa se encontra concentrada na faixa litoral que vai do Minho ao Algarve, com uma interrupção no Alentejo. Para o interior do país, numa faixa que vai de Bragança ao Alentejo temos 15% da população, cabendo os restantes 5% às ilhas. Trata-se na verdade de uma fractura entre o interior e o litoral do país, com este a ganhar em termos da estrutura etária das populações, níveis de qualificação, modernização do tecido económico e, consequentemente, com melhores níveis de acesso aos benefícios do progresso.

O fenómeno remonta muito especialmente à década de 60, com a emigração para ao países europeus economicamente mais desenvolvidos de largas faixas de população do interior, e com as migrações internas no sentido do litoral desde então intensificadas. Recorde-se a propósito, que de 70 a 81, a Região de Lisboa e Vale do Tejo viu a sua população crescer de 2,5 para 3,2 milhões de habitantes... O resto são problemas que hoje conhecemos e sentimos, nomeadamente quando deparamos com dificuldades de gestão de metrópoles congestionadas (à nossa dimensão, entenda-se) : a insegurança, as infra-estruturas sempre insuficientes, os transportes...enfim.

Contrariar este estado de coisas não é tarefa fácil, até porque se sabe que, devido às interdependências existentes, o litoral acabará por ser, sempre, o beneficiário último de investimentos feitos fora dele. O litoral há-de ser sempre o grande fornecedor de bens e serviços de todo e qualquer grande investimento que se faça no interior do país.

Só com uma política de discriminação positiva será possível contrariar a tendência, já que pensar em invertê-la é pura utopia.


Leituras
“Estado do Ambiente no Mundo” - Perspectivas Ecológicas - Instituto Piaget
“A Economia de Portugal” - Michel Drain - Dinfel
“A Importância do Mar para Portugal” - Virgílio de Carvalho - Bertrand/IDN
“História dos Municípios e do Poder Local” - Dir. César de Oliveira -C.Leitores
“Portugal 20 anos de Democracia - Coord. António Reis - C. Leitores
“Desenvolvimento Regional” - A Simões Lopes - F. Gulbenkian
entre outros...

Luís N. Marques
publicado por saqv_ps às 14:26

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